Este período pós?festas é uma "calma tensa” que precede o autêntico "pico sazonal”, que em Portugal e Espanha costuma coincidir com as campanhas agrícolas de primavera e verão, além das temporadas turísticas que disparam o consumo de alimentos frescos e bebidas.
O tamanho do mercado de logística de cadeia de frio em Portugal atingiu cerca de 995 milhões de euros em 2024 e prevê?se que o mercado alcance 3,35 mil milhões de euros em 2033, segundo dados da empresa de investigação de mercados e consultoria imarc Group.
A crescente procura de alimentos frescos e congelados, juntamente com a posição estratégica de Portugal como porta de entrada logística da Europa, está a ampliar a participação do mercado de logística de cadeia de frio em Portugal.
O pulso do transporte na região sublinha?o. Especificamente entre Portugal e Espanha, o transporte rodoviário representa um contundente 73,3% das 32,2 milhões de toneladas movimentadas anualmente, superando o marítimo (21,4%) e o ferroviário (5,4%), (Observatório Transfronteiriço Espanha/Portugal (OTEP))
Como gerir as frotas durante a procura sazonal
A gestão de frotas frigoríficas vai além do simples controlo de temperatura:
Antecipação da frota:
A procura pode ser modelada com grande precisão. Utilizando dados históricos e projeções de campanhas agrícolas ou eventos de consumo massivo, as empresas planeiam as necessidades de capacidade com meses de antecedência. Isto inclui negociações de arrendamentos a longo prazo ou a ativação de acordos com frotas associadas.
Manutenção inteligente:
O pico sazonal é o pior momento para uma avaria. Deve?se concentrar a manutenção preventiva (calibração de equipamentos de frio, revisão do isolamento, inspeção de motores) na "calma tensa” pós?festas. Uma falha na unidade de refrigeração não só gera perdas de produto como rompe toda a cadeia de planeamento do transporte.
Gestão documental digital:
A velocidade nas fronteiras é um fator crítico. A digitalização de documentos (e?CMR) reduz os tempos de inatividade, que se multiplicam sob a pressão do tráfego sazonal, agilizando o movimento nos pontos chave do Corredor Atlântico e das fronteiras interiores.
Flexibilidade operacional e rede de contactos
Um operador logístico deve ser um camaleão capaz de ajustar a sua "pele” à procura mutável e ter capacidade de resposta rápida para aumentos de procura imprevistos (por exemplo, ondas de calor inesperadas que obrigam a um reajuste logístico imediato de produtos frescos). Isto consegue?se mantendo uma rede de parceiros de confiança e pré?homologados que possam aportar capacidade extra de forma imediata, minimizando a dependência de soluções de última hora, muitas vezes dispendiosas.
Por outro lado, a otimização multimodal é fundamental. Embora o transporte rodoviário seja dominante, diversificar o risco é essencial. Explorar opções intermodais (rodoviário?ferroviário) para troços de longa distância não só otimiza custos na época baixa, como oferece uma rota alternativa de capacidade quando a rodovia está saturada no pico sazonal.
Soluções para problemas comuns
A sazonalidade amplifica os problemas logísticos típicos. A gestão de incidentes deve passar de reativa a proativa.
Problema: saturação das rotas.
No pico sazonal, as rotas para os principais centros de distribuição e fronteiras ficam saturadas.
Solução: Utilização de sistemas de informação geográfica (GIS) e telemática avançada para modelar o tráfego em tempo real e reajustar as rotas de entrega minuto a minuto. Isto não só garante pontualidade como otimiza o consumo de combustível, preservando a rentabilidade mesmo com maiores custos operativos.
Problema: quebra da cadeia de frio.
Com o stress dos grandes volumes e a pressa, o risco de incumprimento de temperatura aumenta.
Solução: Implementar sensores IoT avançados com alertas preditivos. Estes sistemas monitorizam a temperatura não só no camião como ao nível da carga, gerando alertas automáticos que permitem ao motorista agir antes de a temperatura ultrapassar os limites críticos, prevenindo a deterioração da mercadoria.
Problema: escassez de mão?de?obra.
A procura por condutores especializados e pessoal de armazém refrigerado já é habitual, mas dispara no pico sazonal.
Solução: Investir em programas de formação contínua e retenção de pessoal. Uma reserva de talento qualificado e bem remunerado é o ativo mais valioso da empresa. A retenção de condutores especializados em frio reduz os erros humanos, que são mais frequentes com pessoal temporário ou sem experiência na gestão de cargas delicadas.